"É dito que um simples bater de asas de uma borboleta pode causar um tufão no outro lado do mundo." (Teoria do Caos)



Já que a bosta do weblogger me deletou na kra dura, abri outro blog... (snif)

Vou demorar um ano pra arrumá-lo, estou à caça de um template e sem tempo de escrever posts decentes, entaum vou colocar um dos meus posts preferidos do blog antigo (fazer o q). Mas leia, ngm tinha lido o outro msm.. hauhauhauahu

Prometo q logo arrumo essa coisa, bjs

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segunda-feira, 31 de outubro de 2005


Sinto-me estranha! Tem mta coisa se agarrando a meu raciocínio lógico... E ele nao parece mais tão lógico assim.
E tudo o que meu paladar sente é uma vontade imensa de viver! O gosto por cada segundo! A ousadia de viver como se hoje fosse meu único dia de vida! Quem acompanha esse blog, ou meus nicks no msn sabe o quanto isso é, digamos, estranho!
Descobri que ainda tenho medo de morrer no dia em que fui assaltada (faz um mês mais ou menos). Descobri que quero viver quando percebi que meus sonhos são mais vivos em mim do que o mundo real. POr eles eu abraço a vida, por meus desejos atravesso minhas noites!
Eu estava justamente escrevendo sobre isso no trabalho (plantão calmíssimo!) quando chegou um senhor (cujo nome preservarei oculto) para fazer uma radiografia da filha. Fizemos o cadastro normal, demos o atendimento... E eu fui conversando com ele enquanto fazia as fichas. Era extremamente simpático, dava até gosto de fazer a ficha para ele.
Sua filha tem 13 anos. Há dois anos atrás, ficou em terceiro lugar num campeonato de natação, ele me dizia todo orgulhoso, mas com a voz embargando. Senti uma pontada no peito. Por causa de uma dor de cabeça "boba", descobriram que ela tem cancer (se nao me engano no próprio cérebro, nao lembro). Era totalmente assintomático, fora um choque, a filha é sua vida. Ele sorriu tímido.
- Desculpe incomodar vocês este horário, mas minha menina começou a quimio agora e está com pouquíssimos glóbulos brancos, qualquer gripe vira pneumonia.
Engoli suas desculpas a seco, era perto das nove da noite e realmente não costuma ter exames este horário, mas ele nao me incomodava em nada.
- Imagina! No que eu puder ajudar....
Ele pareceu sem graça....
- Sabe o que é? Ela está sem resistência nenhuma, não queria deixar ela muito tempo no hospital.... Posso pegar ela no carro só quando for a vez dela?
Eu me sentia cativada pela gentileza de cada uma de suas palavras, e queria ajudar a menina de algum modo, me sentia totalmente impotente... Certifiquei-me de que ela era a próxima (como já disse o plantão estava excecivamente calmo) e fui pessoalmente pegar a menina no carro.
O pai se desculpava e agradecia a atenção. Eu me sentia sufocada com suas desculpas. Eu queira ajudá-la de alguma forma, e não estava fazendo mais que meu trabalho.
Que susto levei ao vê-la tão magra e fraca! TEntei não transparecer, não sei dizer se consegui. Os pais com um zê-lo sobrenatural para com ela. E ela tremia tanto quando sentiu o ar frio de fora do carro! Não estava tão frio e ela estava bem agasalhada, mas tremia!
Corri com ela para dentro da sala do Rx. Ela voltou a tremer por causa do ar condicionado. O Israel, técnico do Rx, foi desligá-lo.
Ela choramingava de dor. O corpo todo eram ossos, mal havia pele, ela tentava se ajeitar na cadeira, sem êxito. Toda aquela dose de realidade me matava!
- Eles não vão me furar, né?
A mãe olhou docemente para ela.
- Não, querida.
Trabalhar num hospital não prepara ninguém a encarar cenas como essas! Tolice acreditar que você acostuma: ver o sofrimento alheio será sempre doloroso. Eu decidi que faria alguma coisa, qualquer coisa, para ver ao menos um sorriso dela.
- Nada, a gente só vai tirar foto! Você gosta de tira foto?
O Israel voltou. Brincava com ela também, bem mais solto que eu. Depois de ajudá-la a se levantar, eu e a mãe saímos da sala de exames e ficamos na antesala por causa da radiação. Eu não sabia se podia ficar lá, não sabia se podia ficar ali com eles, mas fiquei. Parecia muito mais errado deixá-los.
A mãe me contava sobre quantas milhões de vezes já tinham passado em médicos naquela semana, da internação em uti por 72 dias, das inumeras chapas e exames, das intervenções cirurgicas que não davam certo... Tudo parecia dar completamente errado! Mas ela falava com um amor e uma força...
Voltamos para a sala. O próximo exame era deitada. Colocamos a garota no aparelho. Ela tinha pequenos espasmos de dor enquanto a colocávamos na posição. Lágrimas grossas encheram meus olhos.
Tentei ajudar o Israel como eu podia, ele tentava animá-la enquanto fazia os exames e ela foi relaxando. Ele foi bem rápido... Uma das chapas precisou ser refeita para que não houvessem duvidas, mas ela já estava mais animadinha. E sorria, embora as vezes demonstrasse sentir dores fortes.
TErminadas as chapas, fomos todos para a antesala. Ela estava na cadeira de novo, o Israel mostrava as chapas ao pai e eu tentava manter conversa com ela, disse, apontando as chapas, que eram suas fotos...
- Não parece comigo!
A mãe e eu rimos.
-É você por dentro!
Ela abriu mais os olhos, meio admirada...
O Israel entregou os exames para o pai, e disse a ela que queria que ela voltasse logo, mas só para fazer uma visita. Ela sorriu e fazendo gesto de quem tira foto disse:
- E a gente tira foto junto! Mas foto de fora.
O pai olhou admirado! Disse ao Israel que ele era o primeiro que conseguia alguma coisa, acho que animá-la durante o rx ou coisa do tipo. Ela olhou para mim:
-E vc também...
Eu só sorria. Era tão sublime vê-la rindo apesar de tudo. Naqueçe momento só consegui desejar vê-la de novo, depois da quimio, CURADA!
Perguntou nossos nomes.... FEz carinha pensativa
- Eu nao posso esquecê-los.
O pai explicou que ela colocava em seus animais de estimação o nome de quem ela gostava, que não nos espantássemos se encontrássemos algum passarinho chamdao Roberta ou Israel. Rimos todos, inclusive ela. O Israel virou-se a ela?
-Se for com carinho, você pode colocar meu nome onde quiser.
Os pais agradeciam muito, disseram que encontrar pessoas que tinham tanta atenção pela filha deles dava-lhes força. E eu fiquei imaginando quanto força eles precisariam! Não falei mais nada, porque tinha a impressão de que se tentasse, iria demonstrar o quanto estava emocionada. LEvei-a até a porta do hospital
- Agora vai ficar frio de novo, mas prometo que é rapidinho... Dai você já vai pra casa. Você pode aguentar só um pouquinho?
Ela fez sinal que sim... Saimos e a colocamos no carro o mais rapido possivel. Despedi-me.
Trago com carinho a lembrança deles. Desejo toda força e saúde para eles. Que ela volte a nadar e ser, com a mãe disse que ela queria, uma cirurgiã. Respirei a vida que vinha deles, da luta resignada, mas que não perdia a fé.
O exemplo de vida deles me deu forças, me fez ver quão pequena eu sou, mas que eu podia fazer a diferença no dia de alguém, como ela fez no meu!

:: Postado por :: Beta :: às 23h56
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Estado Civíl: Solteiríssima rsrsrs
Na cabeceira: "Sr dos anéis - A Sociedade do Anel"
Gosto de: Tocar na minha banda, ler, escrever, estar com meus amigos, ouvir música
Paixões: Meus amigos, meus cachorros, literatura e música
Filmes: "Efeito Borboleta", "Moulin Rouge" e "A Bela e a Fera"
Música: erudita, metal melódico, new age e mpb
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